Alguma luz sobre Mário de Sá-Carneiro: A orgia do fogo de Lúcio Vaz

Paulo Ricardo B. de Souza

Resumo


O trabalho propõe uma linha de leitura d’A confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro, que, ao perscrutar, por meio de uma intrínseca relação com a imagem do fogo – destruição, purificação, ressurreição –, as suas conformações narrativas, procura compreender os processos em questão no fazer literário, a partir da concepção atribuída por Maurice Blanchot a tal trabalho realizado com a linguagem. Deste modo, a ideia de impermanência é convocada para ilustrar esta mesma desestabilização suscitada no plano ficcional, em que a busca pelos sentidos do texto, assim como as noções de autoria e obra, são problematizadas pelo projeto de alteridade encenado na narrativa. No jogo do verbo que trará a grande revelação, a luz que cega apresenta-se, assim, como resultado deste incessante exercício de busca pelo conhecimento – o encontro com o inominável –, o qual só é dado à custa de alto preço a ser pago: a certeza de que, ao final, tudo que se encontra são mais palavras.

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ISSN: 2316-6134

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