O ano da morte de Lisboa: Pessoa e Saramago em heteronímias tanatográficas

Ana Clara Magalhães de Medeiros, Augusto Rodrigues da Silva Junior

Resumo


Lisboa é palco e mote da ação no romance passado n’O ano da morte de Ricardo Reis — publicação de José Saramago (1984) aqui estudada. Analisamos as deambulações de um heterônimo pessoano, Ricardo Reis, refeito em prosa pelo português Nobel de literatura. Acompanhando ainda os passeios de despedida de um Pessoa defunto pela capital lusitana, descortina-se uma cidade chuvosa, nublada pelo mal-estar (freudiano) e pela ascensão do salazarismo. As diversas poéticas pessoanas encorpam o romance, operando também neste trabalho como ferramentas discursivas para se pensar o indivíduo e acidade, a cidade em tempos de totalitarismo. Pelas janelas do tanatográfico livro dos anos 1980, revisitamos uma urbe desassossegada que conserva na poesia (ameaçada pela morte como tudo o que vive)seu espaço último de plenitude.


Palavras-chave


Saramago; Pessoa; cidade; tanatografia.

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