A poética da negatividade na escritura de Lobo Antunes

Cid Ottoni Bylaardt

Resumo


A escritura de António Lobo Antunes, escritor português contemporâneo, é gaga, fragmentária, desequilibrada, inadequada, embrulhada. O que temos é um desastre inevitável. Não obstante, é um desastre fascinante, sob uma perspectiva blanchotiana, que pressupõe uma escritura destituída de poder, que não fala a linguagem da ordem mas não pode parar de falar, que nos expõe a uma espécie de perplexidade passiva, que confunde o conhecimento. A escritura de Lobo Antunes é, assim, extremamente contemporânea em sua estética da falta, da ausência, da impossibilidade de encontro entre os extremos e os meios para comporem um conjunto lógico. A multiplicidade de enunciadores, todos eles instáveis e descrentes do poder edificante da escritura, impede a identificação de uma voz “central” (ou a que deveria ser o centro, que não há), o que contribui para o império do fragmento. O clímax e o desenlace clássicos não mais constituem o apelo da narrativa, que não aponta para uma solução, uma decisão, um ponto de chegada qualquer. É essa concepção de negatividade, associada às noções de fragmento e desastre, que este texto se propõe investigar na ficção de Lobo Antunes.

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ISSN: 2316-6134

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