A “palavra essencial”, o anseio epifânico bartiano de Vergílio Ferreira em Para sempre

Agnès Levécot

Resumo


Devido à sua formação filosófica, Vergílio Ferreira, nascido há cem anos, dois meses apenas depois de Roland Barthes, não pode ter deixado de acompanhar os trabalhos do pensador francês. Por isso, achamos impossível considerar como puras coincidências as analogias que encontramos entre o romance Para sempre, publicado três anos após a morte de Barthes, e o projeto Vita Nova deste último. As similitudes situam-se tanto no plano temático como na construção narrativa: as circunstâncias vividas pelo protagonista Paulo – cuja dimensão autobiográfica é de salientar –, evocadas através duma construção rapsódica e hifológica que permite revelar a verdade do presente através do passado rememorado, fundamentam o anseio epifânico do narrador-autor em descobrir a “palavra essencial” capaz de dizer o máximo de indizível, num processo análogo à necessidade imperativa de criação, por Barthes, de um texto de “terceira forma”, que, em sua aspiração toda proustiana, lhe permitiria abrir “as portas do Tempo” e expressar a “verdade dos afectos e não das ideias”.

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ISSN: 2316-6134

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